Quando alguém aceita uma vaga na Coreia, a primeira pergunta em casa quase nunca é o salário. É se o cônjuge e os filhos podem vir junto, se as crianças poderão estudar e se o cônjuge poderá continuar trabalhando. A resposta coreana a essas três perguntas costuma ser: sim, sim e não — e é a terceira que coloca as famílias em apuros.

→Quem Realmente Pode Trazer a Família

O visto de acompanhante familiar (동반비자, dongbanbija), designado F-3, existe para o cônjuge e para os filhos menores solteiros de um estrangeiro que tenha determinados status de longa permanência. Em linhas gerais ele acompanha as categorias profissionais, de estudo e de negócios — mas, deliberadamente, não está aberto a todos os vistos.

Status do titular principalFamiliares têm direito ao F-3?
D-2 (estudante), D-8 (investimento societário), D-9 (gestão comercial)Sim
E-1 a E-7 (professor, ensino de idiomas, pesquisa, atividade específica etc.)Sim
E-9 (emprego não profissional, 비전문취업), E-10 (tripulação), H-2 (visita para trabalhar, 방문취업)Não — essas categorias não admitem dependentes
Titulares de F-2, F-5, F-6Os familiares em geral pedem o próprio status da série F, e não o F-3

A exclusão do E-9 (비전문취업) e do H-2 (방문취업) não é um descuido nem uma questão de papelada que dê para contornar no balcão: é uma linha de política migratória. Quem trabalha nessas categorias e pergunta como conseguir um F-3 para a esposa está, infelizmente, fazendo uma pergunta que não tem caminho atrás.

→Quem Conta como "Dependente"

Documentos emitidos no exterior em geral precisam de apostila (아포스티유, apostiyu) ou legalização consular, além de tradução juramentada para o coreano. As famílias subestimam sistematicamente quanto tempo leva para autenticar uma certidão de casamento no país de origem, e é esse passo que, na prática, acaba definindo a data de chegada.

→A Proibição de Trabalhar — e Como as Famílias Caem Nela

A atividade permitida ao titular de um F-3 é acompanhar o principal. Trabalhar não está incluído. Um cônjuge que aceita até um trabalho de meio período — aulas particulares, um turno em uma cafeteria, design freelance, trabalho on-line pago em conta coreana — está exercendo atividade fora do seu status, a menos que tenha obtido antes a autorização para atividade fora do status de permanência (체류자격 외 활동허가, cheryujagyeok oe hwaldonghega).

"Eram só algumas horas por semana" não é defesa contra trabalhar fora do seu status: é a descrição da infração.

→Status, Escola e Plano de Saúde

  1. O F-3 está preso ao titular principal. O período de permanência segue o status do principal, e se o principal perde ou muda de status, o dos dependentes é afetado junto
  2. Os filhos podem estudar. A matrícula em escola pública coreana em geral está disponível para crianças estrangeiras residentes na Coreia, e as escolas internacionais têm seus próprios requisitos de admissão
  3. É preciso se registrar em 90 dias. Dependentes que ficam em permanência longa precisam concluir o registro de estrangeiro (외국인등록, oegugindeungnok) e informar mudanças de endereço — um passo que se esquece no meio das caixas da mudança
  4. O plano de saúde segue o principal. Os dependentes em geral podem ser cobertos como dependentes dentro da inscrição do principal no Seguro Nacional de Saúde (국민건강보험, gungmin geongang boheom), observados os requisitos aplicáveis

Bem planejado, o F-3 (동반비자) é uma das partes mais tranquilas de mudar uma família para a Coreia. Os problemas vêm quase sempre dos mesmos dois lugares: supor que a categoria está disponível quando o status do principal a exclui, e supor que um cônjuge que reside legalmente é, por isso, legalmente empregável.

→Uma Nota Para Quem Lê Isto em Português

Muitas das famílias brasileiras e portuguesas que me escrevem chegam à Coreia com um único contrato de trabalho e a ideia de que o resto se resolve depois. A parte que quase ninguém confere antes de assinar é qual categoria de visto o titular terá, porque é disso que depende se a família pode vir. Vale perguntar antes de aceitar a vaga, e não depois de o cônjuge já ter pedido demissão no Brasil.