Todo ano, cônjuges estrangeiros de cidadãos coreanos levam o mesmo susto: um casamento real, às vezes fruto de anos de relacionamento, não basta sozinho para que o Serviço de Imigração da Coreia (출입국·외국인청) aprove o visto de casamento F-6 (결혼이민비자). O visto existe justamente para cônjuges estrangeiros, mas vem com patamares de renda, comprovação de convivência e uma entrevista feita para pegar casamentos por conveniência. E essa triagem não diferencia quem tenta fraudar do casal legítimo que simplesmente não preparou os documentos certos.

1O F-6 É uma Categoria, Não um Visto Só

O visto F-6 (결혼이민비자) cobre, na verdade, três subcategorias: F-6-1, para quem é casado com cidadão coreano; F-6-2, para o pai ou a mãe estrangeiro(a) que cria um filho em comum com um cidadão coreano; e F-6-3, para quem se divorciou ou ficou viúvo(a) do cônjuge coreano sem ter culpa pelo fim do casamento. A maioria se enquadra no F-6-1, mas as exigências e as provas esperadas mudam entre as três, então o primeiro passo é confirmar qual se aplica a você.

2A Exigência de Renda Trava Mais Casais do Que Se Imagina

A Imigração exige que a família, em geral a partir da renda do cônjuge coreano que patrocina o pedido, atinja um mínimo atrelado a um percentual da Renda Nacional Bruta (RNB/GNI) da Coreia, reajustado periodicamente. Essa renda é comprovada por declarações de imposto, e não pelo saldo bancário no dia do pedido.

Casais em que o cônjuge coreano é estudante, virou autônomo há pouco tempo ou tem pouco histórico de declaração de imposto costumam empacar aqui. Às vezes é preciso um fiador adicional, comprovar poupança ou esperar até ter um histórico de renda mais completo.

3Prova de Convivência e Moradia

Em geral, é preciso mostrar que vocês moram juntos ou que têm planos concretos e documentados de dividir a mesma casa: a certidão de casamento sozinha não é tratada como prova suficiente de um relacionamento real e contínuo. A Imigração pode pedir contrato de aluguel, contas de consumo com os dois nomes ou o mesmo endereço, e até a planta do imóvel, que depois é conferida com as respostas de cada um na entrevista.

Um casamento real com a papelada bagunçada pode ser avaliado do mesmo jeito que um casamento de fachada: o processo do visto F-6 reage à documentação, não ao quanto a relação é verdadeira.

4A Entrevista Serve para Pegar Contradições

A Imigração pode entrevistar o casal separadamente, e faz isso, para depois cruzar as respostas: como vocês se conheceram, a rotina do dia a dia, detalhes da família, até pequenos fatos da vida do outro. Mesmo num casamento verdadeiro, respostas vagas ou incoerentes dadas no nervosismo da entrevista podem levar a uma negativa ou a um pedido de mais provas. Isso não quer dizer necessariamente que o agente desconfia de vocês: é parte normal da análise de qualquer pedido de F-6.

5Se Vocês Se Casaram Fora da Coreia

Um casamento celebrado no exterior, no Brasil ou em Portugal, por exemplo, em geral ainda precisa ser declarado às autoridades coreanas (혼인신고) antes do pedido de F-6 ou junto com ele. Isso costuma exigir que a certidão de casamento e os demais documentos estrangeiros estejam apostilados ou legalizados pela via consular.

Essa etapa de autenticação é, muitas vezes, a parte mais demorada de todo o processo, e os casais que acham que a certidão estrangeira vale automaticamente na Coreia se surpreendem com o tempo extra que ela acrescenta.

6O Que Acontece Se o Pedido For Negado

Uma negativa não é necessariamente definitiva. Muitas vezes dá para fazer um novo pedido com documentação mais forte, que cubra justamente a falha apontada pela Imigração, e em alguns casos é possível apresentar um recurso administrativo contra a própria decisão.

Dito isso, negativas repetidas costumam criar um histórico negativo que dificulta cada pedido seguinte. Por isso vale investir para acertar o primeiro pedido, em vez de tratá-lo como uma tentativa sem consequências.

→Antes de Fazer o Pedido

  1. Confirme se a renda e o histórico de imposto do seu cônjuge coreano atingem o mínimo antes de protocolar, e não depois.
  2. Prepare provas de convivência mesmo que vocês tenham acabado de casar e ainda não tenham se mudado de vez.
  3. Se casaram no exterior, comece cedo a declaração do casamento na Coreia (혼인신고) e a apostila ou legalização dos documentos: costuma ser a etapa mais longa de todo o cronograma.
  4. Preparem-se juntos para a entrevista, mas responda com sinceridade em vez de decorar um roteiro: a diferença entre respostas ensaiadas e espontâneas é exatamente o que os agentes são treinados para perceber.

→Uma Observação para Clientes Lusófonos

A distância entre «somos casados de verdade» e «temos o que a Imigração precisa ver» pega muitos casais de surpresa, principalmente quando um dos dois está lidando com a burocracia coreana pela primeira vez. Ajudo casais binacionais a preparar o pedido do visto de casamento F-6 (결혼이민비자), a coordenar a autenticação de documentos estrangeiros e a responder a negativas ou pedidos de provas adicionais, em português.