A apelação (항소, hangso) é a impugnação da sentença de primeiro grau julgada pelo tribunal de segundo grau. É um procedimento distinto do recurso final (상고) ao Supremo Tribunal, que vem depois e é muito mais estreito.

Réus estrangeiros perdem apelações que teriam ganhado por um motivo mais do que por qualquer outro: o prazo passou enquanto eles esperavam um documento que nunca ia chegar.

→Os Sete Dias

O artigo 358 da Lei de Processo Penal resume a regra inteira em uma linha: o prazo para apelar é de sete dias.

Ele corre do dia em que a sentença é lida em audiência pública. Não corre do dia em que a sentença escrita é intimada a você, e não espera por tradução. Se você estava na sala e ouviu a pena por meio de um intérprete, o relógio começou.

A petição de apelação (항소장) é protocolada no juízo que proferiu a sentença de primeiro grau — não no tribunal de apelação. Protocolar no lugar errado enquanto os sete dias se esgotam é uma forma real de perder um recurso.

A petição em si é curta. Ela não precisa conter os seus argumentos. A única função dela é preservar o recurso.

→O Segundo Relógio

Depois que o processo sobe, o tribunal de apelação envia a notificação de recebimento dos autos (소송기록접수통지). Do dia em que você recebe essa notificação, você tem vinte dias para apresentar as razões de apelação (항소이유서).

Esse é o documento que de fato argumenta o caso. Se não for apresentado no prazo, o recurso pode ser rejeitado sem que o mérito chegue a ser examinado — um recurso preservado e depois abandonado pelo silêncio.

Dois prazos, dois pontos de partida diferentes. Réus estrangeiros os fundem em um só com muita frequência e perdem o segundo.

→O Que o Tribunal de Segundo Grau Revisa

Uma apelação não é um julgamento novo a partir do zero. O tribunal trabalha sobre os autos do primeiro grau e examina os fundamentos que você levanta contra ela.

Na prática os fundamentos se agrupam em três:

O terceiro é o que tem mais sucesso, e é onde o trabalho feito depois da sentença de primeiro grau ainda conta. Um acordo com a vítima (합의서) firmado após a condenação, uma indenização efetivamente paga, prova de emprego ou de circunstâncias familiares na Coreia — tudo isso é recebido em segundo grau e pode mover uma pena mesmo quando os fatos dados por provados não são alterados.

→A Pena Pode Piorar?

Essa é a primeira pergunta de quase todo réu, e a resposta depende de quem apelou.

Quando apelou apenas o réu, aplica-se o princípio da proibição de alteração prejudicial (불이익변경금지): o tribunal de segundo grau não pode impor pena mais grave do que a de primeiro grau. O risco de baixa se limita a perder.

Quando o Ministério Público também apelou, essa proteção não opera. O tribunal pode agravar a pena. Saber se a acusação apelou é, portanto, algo a estabelecer antes de decidir como seguir, e não depois.

→Prisão, Saída do País e Status

A apelação por si só não solta um réu preso, e por si só não suspende uma proibição de saída (출국금지). A soltura durante o recurso é um pedido separado, e a fiança (보석) também está disponível em segundo grau, não só em primeiro.

Para um estrangeiro o calendário tem um segundo fio. As consequências de imigração — cancelamento do status, deportação compulsória (강제퇴거), proibição de entrada (입국금지) — em regra se prendem a uma condenação quando ela se torna definitiva. Enquanto uma apelação está devidamente pendente a condenação ainda não é definitiva, e esse intervalo é muitas vezes a única margem disponível para organizar os seus assuntos, chegar a um acordo com a vítima ou reduzir a pena abaixo do patamar que aciona a remoção.

Apelar apenas para ganhar tempo não é estratégia e os tribunais percebem. Mas quando há fundamentos reais, o fato de o relógio da imigração não ter começado a correr merece ser entendido antes de decidir.

→Se os Sete Dias Já Passaram

Existe uma via estreita para quando o prazo foi perdido por razão alheia ao seu controle: a restauração do direito de recorrer (상소권회복). Não é uma segunda chance para mudar de ideia. Quem pede tem de demonstrar que a falha não é atribuível a ele nem a quem agia por ele.

Não ter recebido cópia traduzida da sentença, ou não ter entendido que a leitura do dispositivo abriu um prazo, raramente basta por si só. Vale perguntar, mas não substitui protocolar no prazo.

Se a sentença foi lida esta semana, a sequência útil é: protocolar primeiro a petição de apelação (항소장) e depois avaliar se o recurso vale a pena. Preservar o direito custa pouco. Recuperá-lo depois de perdido é outro pedido, e muito mais difícil.

→Uma Nota para Quem Lê Isto em Português

O erro concreto que vejo se repetir entre réus lusófonos é esperar a sentença por escrito. No Brasil e em Portugal o prazo costuma correr da intimação; na Coreia, na apelação criminal, ele corre de quando o juiz lê a sentença na sala. Se naquele dia você saiu da sala sem entender o que foi dito, o urgente não é conseguir a tradução: é protocolar a petição de apelação dentro dos sete dias e traduzir depois.